Feminicídio: assassinato brutal de auxiliar de limpeza choca o DF

Cilma da Cruz Galvão, 51 anos, foi assassinada a facadas no apartamento onde morava. O filho da vítima encontrou o corpo, após arrombar a porta da residência. Principal suspeito é Evanildo das Neves da Hora, 37, com quem a vítima tinha um relacionamento

Feminicídio: assassinato brutal de auxiliar de limpeza choca o DF

Darcianne Diogo RM Rafaela Martins RN Renata Nagashima postado em 04/10/2021 05:55 / atualizado em 04/10/2021 05:56 (crédito: Sindiserviço-DF/Divulgação) (crédito: Sindiserviço-DF/Divulgação

Mais uma vítima entrou para a trágica estatística de feminicídios no Distrito Federal. Cilma da Cruz Galvão, 51 anos, auxiliar de limpeza e diretora de Políticas para as Mulheres e Combate ao Racismo do Sindicato de Serviços Terceirizáveis (Sindiserviços-DF), foi brutalmente assassinada a facadas dentro do apartamento onde morava, em Santa Maria. O principal suspeito é o namorado, Evanildo das Neves da Hora, 37, com quem se relacionava há pouco mais de seis meses. Até o fechamento desta edição, ele estava foragido. De acordo com o último levantamento da Secretaria de Segurança Pública, de janeiro a 1º de julho deste ano, 17 mulheres morreram de decorrência do gênero. O crime foi na madrugada de ontem, em um condomínio do Setor Total Ville. Ao Correio, vizinhos relataram que o casal tinha um relacionamento conturbado e, pouco antes do assassinato, eles discutiram. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) foi acionada para uma ocorrência de violência doméstica por volta de 12h50. O filho de Celmi havia tocado a campainha do apartamento da mãe, mas não obteve resposta. Ele, então, decidiu arrombar a porta e a encontrou morta na cama, com diversos ferimentos no abdômen e nas pernas, aparentemente causados por uma faca. Imagens do circuito interno de segurança do condomínio mostraram o suspeito deixando o local por volta de 1h30, pouco tempo depois do crime. Na filmagem, Evanildo sai do prédio carregando uma bolsa nas mãos. PUBLICIDADE Discreta Ao Correio, uma moradora do condomínio contou que Celmi e Evanildo se conheceram na igreja e começaram a morar juntos. “Quando foi ontem, ele pediu para ela todo o dinheiro que ele deu no apartamento, e eles brigaram. Os bombeiros disseram que Evanildo a matou asfixiada com uma almofada e, em seguida, a rasgou toda e, depois, saiu do condomínio de moto.”, detalha a vizinha que preferiu não se identificar. Reservada, Cilma não comentava sobre o namoro com a família. Prima dela, Valdilene Guilhon lembra que Evanildo foi apresentado para a vítima na igreja, mas os parentes não apoiavam a união. “Ela não falava muito do relacionamento, porque sabia que ninguém apoiava. A família sabia que ele não prestava e que era ex-presidiário. Ninguém gostava dele, com 15 dias que conheceu, colocou dentro de casa e, aí, aconteceu isso”, diz. A vítima tinha dois filhos, e um deles morava com o casal. Para Valdilene, Evanildo se valeu de que o jovem viajou no sábado para Imperatriz, no Maranhão, e Cilma ficou sozinha. “Ela falou que não queria mais ele e o mandou sair de casa, ele aproveitou que estavam sozinhos e a matou”, revela a prima. A reportagem apurou que Evanildo tem passagem por roubo com o uso de arma de fogo, em São Francisco do Conde, na Bahia. Ele foi preso em 2016. Trabalho Natural de Codó (MA), Cilma da Cruz atuava, desde 2007, como diretora de Políticas para as Mulheres e Combate ao Racismo do Sindiserviços-DF. Eleita como efetiva do Conselho Fiscal, ela participou de congressos da CUT Brasília (Cecut/DF) e do Congresso Nacional dos Trabalhadores das Áreas de Serviços e Comércio. Em entrevista, a presidente do Sindiserviços-DF, Maria Isabel Caetano, lamenta a morte de Celmi. “Hoje, comentei com minha filha que ela vai fazer muita falta. Era uma pessoa pacífica, companheira e sabia se colocar em posição. Era uma das melhores funcionárias que tivemos”, destaca. A diretora conta que desconhecia o relacionamento de Cilma. “Foi uma surpresa. Eu sabia que ela não era casada, mas não tinha ciência de que ela namorava, pois nunca comentou conosco. Era uma pessoa querida, que eu desabafava sobre algumas coisas”, ressalta Maria Isabel.