Modelo sofre ofensas racistas em BH: "Seu cabelo assusta"

O homem afirmou que, por ser fotógrafo, tem autoridade para dizer aquilo. "Eu não vou desistir de lutar pelo meu povo", afirmou Ludmila Cassimiro em vídeo

Modelo sofre ofensas racistas em BH: "Seu cabelo assusta"

A modelo Ludmila Cassemiro passou por uma situação de injúria racial ao ir para a academia, no Cairro Cachoeirinha, Região Nordeste de Belo Horizonte, no último sábado (9/10). Apesar de não conhecer o agressor, o homem disse que sempre via a jovem passando na rua e buscava uma oportunidade de dizer que seu cabelo assustava as pessoas. Em um vídeo divulgado pela vítima, o homem afirma que, por ser fotógrafo, tinha autoridade em falar sobre a forma com que ela usa o cabelo. "Então meu cabelo assusta?”, ela pergunta. “Assusta. Sempre quis falar isso pra você. Eu sou fotógrafo, eu posso falar”, o homem dispara em vídeo. Ludmila reagiu o chamando de racista e o homem negou. A situação não é um caso isolado e Ludmila afirma que o cabelo negro é sempre alvo de críticas. No vídeo, a modelo se indigna com o esvaziamento da simbologia da cultura negra: “Nosso cabelo não é um elemento estético, e sim um elemento político. Faz parte do nosso corpo enquanto existência política". Ludmila Cassimiro afirmou que irá levar a denúncia ao Ministério Público, como foi instruída, e posteriormente irá fazer o boletim de ocorrência: “Quero penalizá-lo pela atitude que ele teve”. PUBLICIDADE Conforto ao ofender Além do tom de conforto do homem, Ludmila disse ao Estado de Minas que percebeu a satisfação dele ao fazer o comentário: “Ele falou de um modo muito tranquilo. Esboçou felicidade por estar falando que meu cabelo assustava as pessoas”. Além disso, a modelo afirma que a naturalidade do comentário era acompanhada pela certeza de que ele ficaria impune: “Ele falou como se não fosse ‘dar nada’ pra ele”. Ela completa dizendo que o homem se sentiu muito à vontade, e agiu como se a injúria fosse uma opinião. "As pessoas veem isso como uma opinião pessoal que estão exprimindo inocentemente, mas, na verdade, é o pensamento racista velado" Ludmila Cassemiro No vídeo, a jovem explicou que essas atitudes afetam a saúde mental e autoestima da população negra: “Isso além de nos desumanizar, tira nosso lugar de conforto, de caminhar em paz.” Ela conta que sua imagem sempre foi colocada à frente do conteúdo e capacidade intelectual, e conclui: “Eu não vou desistir de ter voz, de lutar pelo meu povo. Continuo levando nas minhas costas, na minha mente, corpo, coração e alma, a ideia de que enquanto ferirem a minha existência, eu vou resistir.”